Lia Rodrigues Companhia de Danças
Fundada em 1990 - Rio de Janeiro
Direção - Lia Rodrigues
Assistência de direção - Amália Lima
Foto: Sammi Landweer
Trabalhos criados em colaboração
Foto: Sammi Landweer
Fúria
"E quando a dor vem encostar-se a nós, enquanto um olho chora / o outro espia o tempo procurando a solução.” (Conceição Evaristo, 2015)
Como espiar o tempo em um mundo dominado por uma infinidade de imagens contrastantes - medonhas e belas, sombrias e luminosas - atravessadas por uma infinidade de perguntas não respondidas e perpassadas por contradições e paradoxos? Como espiar o tempo em um mundo de fúria? Como dar visibilidade e voz ao que está invisível e silenciado? Em Fúria um mundo povoado de imagens se constrói e se desmancha sem trégua, diante dos olhos do público. Os corpos dos nove artistas se destacam e se perdem em meio a roupas, pedaços de plásticos, artefatos, rejeitos, em uma mistura de cores, formas e texturas que são compostas e metabolizadas em um afresco em movimento. Criada no Centro de Artes da Maré no Rio de Janeiro, sede da Lia Rodrigues Companhia de Danças, Fúria estreou em novembro de 2018 em parceria com o Théâtre National de Chaillot/Paris e com o Le Cenqquatre/Paris dos quais a coreógrafa é artista associada.
Ficha Técnica
Criação e direção:
Lia Rodrigues
Dançado e criado em colaboração com:
Leonardo Nunes, Felipe Vian, Clara Cavalcante, Carolina Repetto, Valentina Fittipaldi, Andrey Silva, Karoll Silva, Larissa Lima e Ricardo Xavier.
Assistente de criação e direção:
Amália Lima
Dramaturgia:
Silvia Soter
Colaboração artística e imagens:
Sammi Landweer
Criação de Luz:
Nicolas Boudier
Trilha sonora:
Trecho de Canções de Kanak: Festa e canções de ninar - Grande Terre, Ile des Pins e Tiga e ilhas Loyanté da Nova Caledônia gravados em 1990 ( coleção Le Chant Du Monde da Coleção do Centre National de la Recherche Scientifique e do Musée de l'Homme /Paris- França)
Produção e difusão internacional:
Thérèse Barbanel e Colette de Turville
Professoras:
Amália Lima, Sylvia Barreto e Valentina Fittipaldi
Produção Brasil:
Gabi Gonçalves/Corpo Rastreado
Produção geral da temporada Centro de Artes da Maré 2022:
Claudia Oliveira
Secretária e administração:
Glória Laureano
Realização:
Lia Rodrigues Companhia de Danças
Parceria:
Redes da Maré e Centro de Artes da Maré
Agradecimentos:
Zeca Assumpção, Inês Assumpção, Alexandre Seabra, Mendel Landweer, Jacques Segueilla, equipe do Centro de Artes da Maré e da Redes da Maré.
Foto: Sammi Landweer
Encantado
A palavra "encantado", do latim incantatus, designa algo que é ou foi objeto de encantamento ou de feitiço mágico. Encantado é também sinônimo de maravilhado, deslumbrado ou fascinado e também uma expressão de cumprimento social. No Brasil, encantado tem ainda outros sentidos. O termo se refere às entidades que pertencem a modos de percepção do mundo afro-indígenas. Os encantados, animados por forças desconhecidas, transitam entre céu e terra, nas selvas, nas pedras, em águas doces e salgadas, nas dunas, nas plantas, transformando-os em locais sagrados. São seres que atravessam o tempo e se transmutam em diferentes expressões da natureza. Não experimentaram a morte, mas seguiram em outro plano, ganhando atribuições mágicas de proteção e de cura. Deste modo, as ações predatórias que ameaçam a vida na Terra, a destruição sistemática das florestas, dos rios e dos mares impactam também a existência dos Encantados. Não há como separar os encantados da natureza ou a natureza desses seres. Como encantar nossos medos e nos colocarmos no coletivo, próximos uns dos outros? Como encantar o que nos cerca, imagens, danças e paisagens e transformá-las em nossos corpos e ideias? Como entrar em encantamento e nos acoplarmos, nós e o ambiente, em arranjos variados e ir ao encontro dos seres viventes em toda a sua diversidade?
Ficha Técnica
Criação e direção:
Lia Rodrigues
Dançado e criado em colaboração por:
Leonardo Nunes, Valentina Fittipaldi, Andrey Silva, Larissa Lima, David Abreu, Raquel Alexandre.
Também dançado por: Alice Alves, Daline Ribeiro, Sanguessuga, Cayo Almeida e Vitor de Abreu.
Colaboração na criação:
Joana Castro, Matheus Macena, Carolina Repetto, Ricardo Xavier e Tiago Oliveira.
Assistente de criação e direção:
Amália Lima
Dramaturgia:
Silvia Soter
Colaboração artística e imagens:
Sammi Landweer
Criação de luz:
Nicolas Boudier com assistência técnica de Baptistine Méral e Magali Foubert
Trilha sonora / mixagem:
Alexandre Seabra (a partir de trechos de músicas do povo Guarani Mbya/Aldeia de Kalipety da T.I. Tenondé Porã, cantadas e tocadas durante a marcha de povos indígenas em Brasília, em agosto e setembro de 2021, contra o “marco temporal”, uma medida inconstitucional que prejudica o presente e o futuro de todas as gerações dos povos indígenas.
Produção e difusão internacional:
Colette de Turville, com assistência de Astrid Toledo
Administração França:
Jacques Segueilla
Produção Brasil:
Gabi Gonçalves/Corpo Rastreado
Produção geral da temporada Centro de Artes da Maré 2022:
Claudia Oliveira
Idealização e produção do projeto de apoio do Instituto Goethe:
Claudia Oliveira
Secretária e administração:
Glória Laureano
Professores:
Amalia Lima, Sylvia Barretto, Valentina Fittipaldi
Agradecimentos:
Thérèse Barbanel, Antoine Manologlou, Maguy Marin, Eliana Souza Silva, equipe do Centro de Artes da Maré.
“Encantado” é dedicado ao Oliver.
Foto: Nityama Macrini
Para Aqueles Difíceis de Agradar
La Fontaine, autor francês que viveu no século XVII, escreveu 240 fábulas em verso distribuídas em 12 livros que foram publicados entre os anos de 1668 e 1694. Dentre as fábulas mais conhecidas, destacam-se “A cigarra e a formiga”, “A lebre e a tartaruga”, “O leão e o rato”, “A raposa e as uvas” e “O conselho dos ratos”.
Quando recebi o convite para criar uma peça coreográfica, a partir de uma das fábulas desse autor, convidei a dramaturga Silvia Soter para pensarmos juntas esse desafio. Escolhemos a fábula “Contre ceux qui ont le goût difficile”, em tradução livre para o português “Para aqueles difíceis de agradar”, conta Lia Rodrigues. Nessa fábula, La Fontaine coloca em diálogo o autor e o crítico. Não apenas o próprio escritor e seus inúmeros críticos, mas artista e crítico como posições imbricadas e complementares: a de quem faz e a de quem recebe.
La Fontaine desenha diferentes caminhos por onde a criação pode trafegar e cada possibilidade é questionada por esse outro, censor ou crítico, que pode ser ainda apenas outro lado do próprio artista: afinal, quem são aqueles difíceis de agradar? Os críticos? O público? Quem é esse outro? Não seria a insatisfação do artista aquilo que o move a transformar, desmontar, recombinar, criar e arriscar mais uma vez?
As muitas questões levantadas pelo autor nos permitiram encontrar pontos em comum entre a França do século XVII descrita e criticada pela pena afiada de La Fontaine e a forma como somos vistos e vemos hoje. Quem são os fortes e quem são os fracos? Ganhar ou perder é apenas uma questão de perspetiva? Podemos imaginar, como em “O Carvalho e o Caniço”, que a balança do poder toma caminhos inesperados e que diferentes possibilidades podem se apresentar? Ser cigarra ou formiga, carvalho ou caniço, raposa ou cegonha, artista ou crítico de arte?
Ficha Técnica
Direção e criação Lia Rodrigues
Dramaturgia Silvia Soter
Intérpretes e criadoras Larissa Lima e Valentina Fittipaldi
Ensaiador assistente Andrey Silva
Colaboração na criação Amália Lima, Micheline Torres, Marcele Sampaio, Jamil Cardoso, Sandro Amaral, Celina Portella, Francine Barros e Allyson Amaral
Música Les Motivés (Chants de Lutte)
Iluminação JimmyWong
Fotos Rian Souza
Secretária/administração Gloria Laureano
Produção Corpo Rastreado – Gabi Gonçalves
Agradecimento especial Amália Lima
Co-produção Compagnie Maguy Marin/Centre Chorégraphique de Rillieux-la-Pape, Le Toboggan/ Centre Culturel de Decines, Pôle Sud/Strasbourg, Centre National de La Danse/Pantin, Centre Culturel Aragon/tremblay en France, Centre des Bords de Marne/Le Perreux-sur-Marne,Groupe des Vingt Théâtres en lle de France com a parceria DRAC lle de France e ADAMI/França
Apoio Centro de Artes da Maré
Limpeza e cuidados especiais Sendy Silva
Uma realização de Corpo Rastreado e Lia Rodrigues (em) companhia de Danças
“Para aqueles difíceis de agradar” é para Antônio e Isadora quando pequenos.
Repertório dançado
Foto: Sammi Landweer
Pindorama
Como abordar, ainda uma vez, as possíveis relações do estar junto? Misturando-se até a diluição? Afirmando limites e singularidades? Quais rituais, sacrifícios e acordos seriam necessários para a constituição de um coletivo, ainda que temporário? Que paisagens criar para Pindorama - nome indígena dado às terras brasileiras antes da chegada dos europeus? Ciclos de morte, transformação, vida.
“Pindorama” estreou, em novembro de 2013 no Festival d’Automne de Paris, com um convite especial para fazer uma turnê dentro da cidade de Paris, sendo apresentado em 4 teatros diferentes dentro da programação desse que é o mais prestigiado festival da França. Com todas as apresentações lotadas , “Pindorama” recebeu excelente crítica no jornal Le Monde : “Um pedaço de plástico transparente, água, corpos nus, silêncio… Depois de Pororoca (2009), que designa uma onda imensa nascida do encontro do oceano com um rio, de Piracema (2010) , que designa uma contra-corrente, sempre na língua tupi, Pindorama completa uma trilogia sobre a água com uma precisão incisiva … Estamos no teatro, mas mergulhamos em um mar arrebatador…Uma loucura de situações fugazes e belas…”
Ficha Técnica
Criação e direção:
Lia Rodrigues
Assistente da direção:
Amália Lima
Dançado e criado em estreita colaboração com:
Amália Lima, Leonardo Nunes, Gabriele Nascimento, Francisco Thiago Cavalcanti, Clara Castro, Clara Cavalcante, Dora Selva, Felipe Vian, Glaciel Farias, Luana Bezerra, Thiago de Souza, com a participação na criação de Gabriela Cordovez
Também dançado por: Carolina Repetto, Maruan Sipert e Valentina Fittipaldi
Dramaturgia:
Silvia Soter
Colaboração artística:
Guillaume Bernardi
Criação de Luz:
Nicolas Boudier
Fotografia:
Sammi Landweer
Professores convidados: Amália Lima, Marcela Levi, Cristina Moura e Sylvia Barretto
Secretaria/Contabilidade:
Gloria Laureano
Assessoria de Imprensa:
Claudia Oliveira e Mariana Bezerra
Produção/Consultoria de projetos:
Claudia Oliveira
Produção-difusão internacional:
Thérèse Barbanel/“Les Artscéniques”.
Assistente: Colette de Turville
Residência de criação no Théâtre Jean-Vilar de Vitry, projeto de ' compagnonnage', com o apoio do Conseil Régional d’Ile-de-France.
Coprodução:
Festival d’Automne à Paris, Théâtre national de Chaillot, Théâtre Jean Vilar de Vitry-sur-Seine, La Briqueterie/CDC du Val-de-Marne, King's Fountain, Kunstenfestivaldesarts em corealização com o Kaaïtheater (Bruxelas) e HELLERAU-European Center for the Arts (Dresden, Alemanha).
Em parceria com a Redes da Maré e o Centro de Artes da Maré
Apoio do Grupo Conexão G
Correalização do Festival d'Automne à Paris / Théâtre national de Chaillot / Théâtre de la Cité internationale.
Realização:
Rodrigues & Assumpção Produções Artísticas
A Lia Rodrigues Companhia de Danças recebe patrocínio da Petrobras e do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet - Lei Federal de Incentivo à Cultura - dinheiro público, originário de renúncia fiscal,dentro do programa Petrobras Cultural 2010 de “Manutenção - por 2 anos - de Grupos e Companhias de Teatro e Dança”.
Foto: Sammi Landweer
Para que o Céu não caia
O mito do fim do mundo, relatado pelo xamã Yanomami Davi Kopenawa, diz que, rompida a harmonia da vida no universo, o céu – que no idioma Yanomami é entendido por “aquilo que está acima de nós” – desaba sobre todos os que estão abaixo e não apenas sobre os povos das florestas. Diante de tantas catástrofes e barbáries que todos os dias nos assombram e emudecem, neste contexto de drásticas mudanças climáticas que escurecem o futuro, o que nos resta a fazer? Como imaginar formas de continuar e agir? O que cada um de nós pode fazer para, a seu modo, segurar o céu? Não há tempo a perder antes que tudo desabe. O céu já está caindo e aqui estamos nós a viver sob ele. Vamos juntar nossas forças mais íntimas para manter este céu. Cada um a sua maneira. Na Maré nós dançamos no ritmo de máquinas e carros, helicópteros, sirenes, nós dançamos sob um calor escaldante, nós dançamos com chuva e tempestade, nós dançamos como uma oferenda e como um tributo, para não desaparecer, para durar e para apodrecer, para mover o ar e para se expandir, para sonhar e para visitar lugares sombrios, para virar vagalume, para sermos fracos e para resistir. Nós dançamos para encontrar um jeito de sobreviver neste mundo virado de cabeça para baixo. Dançar para segurar o céu. É o que podemos fazer. Para que o céu não caia… dançamos.
Para Tunga
O embrião da criação foi o projeto piloto Questionário Afetivo– Cultural-Corporal na Maré, parte do projeto Dançando com a Maré, patrocinado pela Globo através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura/Lei do ISS. Neste projeto, os bailarinos da Lia Rodrigues Companhia de Danças, junto com os 18 jovens do Núcleo 2 da Escola Livre de Danças da Maré e de duas estagiárias, percorreram ruas da Maré e pediram a mais de cem pessoas para responderem, de diferentes formas, a um questionário produzido coletivamente. A partir dessa experiência, os bailarinos e estudantes criaram um exercício coreográfico que foi o início do processo de criação de Para que o céu não caia. Para que o céu não caia estreou em Maio, na Alemanha, em Dresden, onde foi finalizado durante uma residência artística, e depois foi apresentado em Hamburgo, Potsdam, Berlim, Frankfurt e Düsseldorf, como parte do Projeto Brasil.
Ficha Técnica
Criação e direção:
Lia Rodrigues
Assistente de direção e criação:
Amália Lima
Dançado e criado em estreita colaboração com:
Leonardo Nunes, Gabriele Nascimento, Francisco Thiago Cavalcanti, Clara Castro, Clara Cavalcante, Dora Selva, Felipe Vian, Glaciel Farias, Luana Bezerra, Thiago de Souza, com a participação de Francisca Pinto
Também dançado por:
Carolina Repetto, Maruan Sipert e Valentina Fittipaldi
Dramaturgia:
Silvia Soter
Colaboração artística e imagens:
Sammi Landweer
Criação de Luz:
Nicolas Boudier
Produção/Consultoria de projetos:
Claudia Oliveira
Programação visual:
Monica Soffiati
Secretária:
Glória Laureano
Professores:
Amalia Lima e Sylvia Barreto
Produção/Difusão internacional:
Thérèse Barbanel / Les Artscéniques
Residência de criação:
HELLERAU-European Center for the Arts Dresden, Alemanha
Coprodução:
Festival d’Automne à Paris; Centquatre, Paris; Montpellier Dance Festival - França; HELLERAU-European Center for the Arts Dresden; Kampnagel, Hamburgo; Hau, Berlim; Musenturm, Frankfurt; Tanzhaus, Düsseldorf - Alemanha. Patrocínio: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura e Rede Globo em parceria com o Centro de Artes da Maré e Redes da Maré
Foto: Tatiana Altberg e Monica Sofiatti
Aquilo de que somos feitos
Levantar ou tirar aquilo que cobria; pôr a vista; encontrar; descobrir; achar; encontrar pela primeira vez; manifestar; revelar; descobrir segredos;inventar; notar; dar a conhecer; tornar-se claro; aparecer à vista; tirar o chapéu; revelar sua identidade; mostrar-se; aparecer; dar a conhecer-se.
AQUILO DE QUE SOMOS FEITOS é a soma de dois anos de ensaios diários, pesquisas e improvisações. Não há separação entre palco e platéia, nem cenários ou cadeiras, fazendo com que, em algumas partes, o público faça parte da ação. Por isso, o número de pessoas por espetáculo é reduzido (no máximo 120).
Desde sua estréia, em julho de 2000, no Rio de Janeiro, AQUILO DE QUE SOMOS FEITOS já foi apresentado em todas as regiões do Brasil. No exterior, o espetáculo alcançou sucesso de crítica e público nas turnês realizadas na Europa, Américas do Sul e do Norte. Na Escócia, onde participou do Fringe Festival, recebeu o prêmio Herald Angel como um dos melhores espetáculos apresentados nos festivais de Edimburgo em 2002.
PREMIO MELHOR COREOGRAFIA E MELHOR TRILHA SONORA - RIO DANÇA 2000
PREMIO HERALD ANGEL – FRINGE FESTIVAL, EDIMBURGO, 2002
Ficha Técnica
Criação e direção
Lia Rodrigues
Interpretação
Amália Lima, Allyson Amaral, Gustavo Barros, Ana Paula Kamozaki, Leonardo Nunes, Thais Galliac, Calixto Neto, Carolina Campos, Volmir Cordeiro,Lidia Larangeira, Priscila Maia, Clarissa Rego, Gabriele Nascimento, Jeane de Lima, Luana Bezerra
Também dançado por Carolina Repetto, Maruan Sipert, Valentina Fittipaldi
Colaboração na Criação
Marcela Levi, Micheline Torres, Amália Lima,Marcele Sampaio, Gustavo Barros, Rodrigo Maia, Clauida Muller
Música
Zeca Assumpção
Iluminação
Milton Giglio
Programação Visual
Monica Sofiatti
Fotos e montagem de fotos
Tatiana Altberg
Co-produção
Compagnie Maguy Marin e Centre Chorégraphique National de Rillieux-la-Pape
Foto: Lucia Helena Zaremba
Formas Breves
FORMAS BREVES é uma esquina imaginária onde acontece o improvável encontro de dois criadores: o alemão Oskar Schlemmer (1888-1943), um dos fundadores do movimento de design e arquitetura Bauhaus, e Ítalo Calvino (1923-1985), um dos maiores nomes da literatura italiana. Em comum entre os dois, a discussão do homem e seu futuro e a investigação das estruturas por trás da obra artística. O livro de Calvino que serve de mote para Formas Breves chama-se “Seis Propostas para o Próximo Milênio”; o movimento Bauhaus se propunha a fazer “a construção do futuro”. Schlemmer se preocupava com a relação do corpo com a geometria e o espaço; Calvino, com a estrutura do texto.
Em FORMAS BREVES o tecido coreográfico se constrói como "uma estrutura facetada em que cada texto curto está próximo dos outros numa sucessão que não implica uma consequencialidade ou uma hierarquia, mas uma rede dentro da qual se podem traçar múltiplos percursos e extrair conclusões multíplices e ramificadas"
PRÊMIO DO PÚBLICO, FIND 2003 - FESTIVAL INTERNACIONAL DE NOUVELLE DANSE, CANADÁ
Ficha Técnica
Criação e direção:
Lia Rodrigues
Interpretação:
Amália Lima, Allyson Amaral, Gustavo Barros , Ana Paula Kamozaki, Leonardo Nunes, Thais Galliac, Calixto Neto, Carolina Campos, Volmir Cordeiro, Priscila Maia, Lidia Larangeira, Clarissa Rego, Gabriele Nascimento, Jeane de Lima, Luana Bezerra
Também dançado por:
Clara Cavalcante, Felipe Vian, Carolina Repetto, Valentina Fittipaldi, Andrey Silva, Karoll Silva, Larissa Lima, Ricardo Xavier
Dramaturgia:
Silvia Soter
Co-direção:
Marcela Levi
Colaboração na criação:
Marcela Levi, Micheline Torres, Jamil Cardoso, Amália Lima, Marcele Sampaio, Ana Carolina Rodrigues
Luz:
Milton Giglio
Música:
“Fahrenheit 303″ – Orbital
Fotos:
Lucia Helena Zaremba
Co-Produção:
Culturgest/Caixa Geral de Depósitos, Lisboa, 2002
Esse trabalho é dedicado a Klaus Veter.
Foto: Leca Novo
True Rouge
Vidro fundido, esponja marinha, poliamida, poliester, cerda natural, madeira, resina fenólica, corante, água, cobre
3150 x 7500 x 4500 mm
O içamento de um corpo inerte é uma marionete. Nesse sentido True Rouge inicia o grupo de obras içadas. Estas obras trazem um repertório de elementos conjuntivos que separam e ao mesmo tempo conectam o corpo do marionete ao corpo do manipulador. São cabos, hastes, ganchos, correntes e ventosas. A diferença de um corpo de marionete e um contra peso içado está na ilusão de que a marionete sustenta o próprio corpo, tornando os conectivos, por vezes, invisíveis.
Na versão grande de True Rouge a armação em cruz se amplia numa estrutura feita de três peças de madeira vermelha que em vez de sustentar um única rede, passa a sustentar de oito a doze redes. Esta versão demandou cento e trinta redes, penduradas em 12 cruzetas. Por possuir a trama bem aberta, a rede não esconde os elementos dentro dela. Essa transparência, a da rede, flerta com a transparência do vidro e dispõe os elementos para a devida degustação. Dentro delas estão escovas, esponjas do mar, bola de bilhar, feltro e contas de vidro na cor vermelha. E entre os objetos transparentes encontramos cálices, garrafas e funis em três tamanhos cada um, além de bolas de cristal. Garrafas e cálices estão cheios de liquido vermelho. Em todas as edições da versão grande, uma performance foi feita para o inauguração onde homens e mulheres nus espalhavam pelas redes baldes de gelatina vermelha que lentamente se depositam no piso em grandes poças.